Como ele acertou?!

Briefing: nosso creme de leite ENVOLVE COMPLETAMENTE AS FRUTAS.

Solução criativa, de autoria do Paulo Almeida, um dos chefes de criação nos anos 80 da McCann-Erickson: uma série de comerciais, em animação, com várias frutas sendo acolhidas, aconchegadas, abraçadas e envolvidas pelo Creme de Leite Nestlé em diferentes situações.

O comercial que abria a campanha foi recusado pelo então gerente de produto, como se chamava na época.

Em animação, um pêssego subia uma escada de circo, chegava num trampolim lá em cima, vendava os olhos. Rufar de tambores, expectativa e suspense. De repente o pêssego saltava no ar, dava um salto triplo mortal e aterrissava exatamente na lata do creme de leite, de onde saía todo lambuzado e envolvido, para os aplausos da plateia.

Razão que o Cliente deu pra reprovar o comercial: “Como é possível um pêssego de olhos vendados acertar em cheio e cair bem na nossa lata de creme de leite?! Isso é totalmente inverossímil. Nada crível”.

Mil discussões, prós e contras, argumentações lógicas e racionais minhas e do Jorge Gurgel, diretor de contas, até que o Paulo Almeida falou candidamente: “E você acha verossímil, você acha crível um pêssego subir uma escada, vendar seus olhos e saltar? Isso é só propaganda e é em animação, uma fantasia.”

De repente entra na sala de reunião o sábio e experiente Diretorzão de Marketing.
O Gerente de Produto explicou o roteiro e a razão de ele ter reprovado: “O senhor não acha inverossímil?”

“Não”, respondeu o Diretor. “O pêssego é nosso e ele faz o que a gente mandar ele fazer. Está aprovado.”

Foi um sucesso, graças ao feito olímpico do pêssego e outros malabarismos de figos em calda, morangos.

Um pouco de imaginação e menos lato-senso não fazem mal a ninguém.

 

O Ivo traiu quem?

I’ve tried do reach you all day long with no success to discuss important issues. Let’s have a working lunch tomorrow at noon. Don’t miss it!”. Ou algo por aí, mais ou menos assim, faz tanto tempo, foi em meados dos anos 80.

Este foi o memorando interno que o novo Gerente Geral da McCann-SP, Raymond Krivicky, um americano de ascendência ucraniana, enviou para o Erazê Martinho, redator do Grupo Chevrolet. Foi com cópia pra meio mundo na agência, inclusive pra mim, Diretor de Criação e chefe do Erazê. Entendi o recado: o novo Gerente Geral estava puto com o Erazê, que não falava uma palavra em Inglês, se bem que eu sabia que o Erazê falava Inglês sim, mas se negava.
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